A tradicional Romaria de Nossa Senhora da Abadia, realizada anualmente no município de Romaria, no Triângulo Mineiro, poderá conquistar um importante reconhecimento em âmbito nacional. Um projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados propõe declarar a peregrinação como manifestação da cultura nacional, reforçando sua relevância histórica, religiosa e cultural para o Brasil.
De autoria da deputada federal Ana Paula Leão (PP-MG), a proposta reconhece oficialmente como Romaria de Nossa Senhora da Abadia a peregrinação realizada por milhares de fiéis em direção ao Santuário Basílica de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja, em Romaria (MG), um dos principais centros de devoção mariana do país.
Além do reconhecimento cultural, o projeto prevê que o poder público possa implementar políticas voltadas ao acolhimento dos peregrinos, incluindo investimentos em segurança, melhorias na infraestrutura dos trajetos, apoio logístico, integração entre os romeiros e ações de assistência durante todo o período da peregrinação e das celebrações religiosas.
Na justificativa do projeto, a parlamentar ressalta que a devoção à Nossa Senhora da Abadia foi introduzida no Brasil pelos portugueses durante o ciclo da mineração e encontrou em Romaria um de seus maiores símbolos de fé. Consolidada ao longo de mais de cem anos, a peregrinação reúne, todos os anos, milhares de pessoas que percorrem quilômetros a pé, de bicicleta, a cavalo ou em outros meios, movidas pela devoção à padroeira.
As festividades acontecem tradicionalmente na primeira quinzena de agosto, tendo como ponto culminante o dia 15 de agosto, data dedicada a Nossa Senhora da Abadia. Durante esse período, o município recebe romeiros de diversas regiões do Brasil, fortalecendo a tradição religiosa que atravessa gerações.
A iniciativa também destaca que a Festa de Nossa Senhora da Abadia já foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Minas Gerais, em 2018. Agora, o objetivo é ampliar esse reconhecimento para todo o território nacional, valorizando uma celebração que, além de sua dimensão espiritual, impulsiona o turismo religioso, preserva tradições centenárias e movimenta significativamente a economia regional.